18/02/2022 às 18h18min - Atualizada em 19/02/2022 às 00h00min

Mudanças no carnaval carioca trarão novo fôlego à economia

Professor do IBMR afirma que a cidade só tem a ganhar com duas datas previstas para o evento

SALA DA NOTÍCIA Leticia Simões
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Ao contrário do que possa parecer, as alterações de calendário do carnaval carioca não terão grande impacto na economia da capital fluminense. Com o adiamento dos desfiles para abril, abre-se uma nova data de incremento econômico, já que em fevereiro, mesmo sem o evento na Sapucaí, o feriado está mantido e a rede hoteleira espera superar o índice de ocupação de 80% registrado ano passado, quando a pandemia estava em seu auge.

Para Claudio Marouvo, economista e professor de Ciências Econômicas do Centro Universitário IBMR, a transferência dos desfiles das escolas de samba para abril, somada ao feriado de fevereiro, fará com que a economia tenha desempenho superior ao do ano passado para os mesmos períodos (carnaval e Tiradentes 21/04). “Este ano, com ‘dois carnavais’, gerará mais demanda que 2020, com um período de carnaval, somado ao feriado separado, sem desfiles. A economia nessas duas datas de 2022 vai prevalecer sobre o mesmo intervalo de 2020”, pondera.

O economista ressalta que o adiamento atinge um nicho específico de todo o panorama que é o carnaval carioca. “Existe um outro grupo do evento, que são as pessoas que se divertem nos blocos de rua. Este público gera uma demanda de consumo atendida em grande parte por bares próximos aos locais por onde os cortejos passam. Ainda que o carnaval de rua esteja oficialmente cancelado, este nicho não será tão afetado. O carioca é festeiro e o que pode ocorrer é um deslocamento de consumo. Acredito que blocos menores acabem sendo criados extraoficialmente.”

Marouvo afirma que a economia informal sentirá mais as mudanças, mas nada de grande impacto. “Os comerciantes informais que atuam nas concentrações dos blocos serão afetados, porém, não será de forma abrupta. Eles estarão dispersos em locais onde haverá eventos particulares e concentrações de populares.”

O professor do IBMR destaca ainda que eventos particulares em clubes, estão autorizados, o que também contribui para o fomento da economia. “A mudança de calendário vai gerar certo impacto para alguns segmentos, porém, a irreverência das pessoas levará muita gente para as ruas nesses dias de feriado.”

Abertura do comércio
Claudio Marouvo avalia que embora tenha havido acordo entre a Fecomércio-RJ e o Sindicato dos Empregados no Comércio do RJ para que o comércio abra durante o feriado de carnaval, o funcionamento será restrito. “A tendência é de que aqueles lojistas que tenham negócios que não gerem demanda para o período não funcionem. Já os que estão ligados ao consumo do carnaval – bares, restaurantes, fantasias etc., aproveitarão o momento para incrementar as vendas sazonais.”
 
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