14/06/2022 às 17h42min - Atualizada em 14/06/2022 às 18h25min

Headless Commerce: uma tendência na tecnologia do comércio eletrônico

Luciano Furtado Correa Francisco*

SALA DA NOTÍCIA Luciano Furtado Correa Francisco
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Todos os dias surgem novidades na tecnologia e consequentemente no comércio eletrônico. O lojista virtual deve estar a par dessas novidades para não perder clientes e vendas. Afinal, hoje em dia não é o maior que engole o menor, é o mais rápido que devora o mais lento.

Entre tantas evoluções tecnológicas que temos visto nas vendas online, uma delas é o chamado headless commerce. Em uma tradução literal, significa “comércio sem cabeça”. Mas antes que você se assuste, achando que é algo sobrenatural, vamos esclarecer: trata-se de um conceito tecnológico apenas. E uma tendência que deverá prosperar pelos próximos anos.

Pois bem, sabemos que a concorrência nas vendas online é cada dia mais acirrada e ao mesmo tempo os clientes querem cada vez mais experiências ótimas de compra, em todos os canais, diga-se. O consumidor já é omnichannel há tempos.

Diante disso, os desenvolvedores das plataformas de e-commerce têm o desafio de criar todos os dias recursos que promovam essas experiências, cativando os clientes e contribuindo para sua fidelização. Não é tarefa fácil. Todavia, o headless commerce surge para tornar essas ações menos difíceis. Com ele, os desenvolvedores adquirem a flexibilidade de criar incríveis experiências para os e-consumidores. Desaparecem as restrições de desenvolvimento e design. Mas isso não significa que não haja investimentos para implantar o headless commerce ou que não precise de planejamento e conhecimento, muito pelo contrário. Contudo, se bem-feito, o retorno positivo é bastante provável.

Como funciona o headless commerce?

Basicamente o headless commerce promove a separação tecnológica do back-end e do front-end da plataforma de e-commerce, tornando-os independentes um do outro. Na estrutura tradicional, esses dois elementos estão rigidamente acoplados e muito dependentes, o que significa dizer que alterações em um implicam quase sempre em mudanças no outro. No headless commerce isso não acontece.

Cabe aqui explicar o que é back-end e front-end.
O front-end é tudo aquilo que o cliente da loja virtual enxerga, também chamada de camada de apresentação. Além do website ou app de vendas, inclui as redes sociais e até mesmo dispositivos de IoT (internet-of-things, a internet das coisas) como totens de autoatendimento, máquinas de vendas automáticas, smartwatches, dispositivos de voz como a Alexa e outros. Aqui entram os programadores HTML e designers web.

Já o back-end se compõe dos sistemas e processos, como o código executável da plataforma, sistemas ERP, CRM e outros, bancos de dados etc. Esses elementos funcionam em segundo plano e garantem que os processos da loja sejam executados a contento. É ele que contém as regras de negócio.

Bem, se eu desacoplo o front-end e o back-end como faço para que ambos continuem se comunicando e o e-commerce funcione? Aqui entra mais uma tecnologia: a API. É a sigla de Application Programing Interface, em português: Interface de Programação de Aplicativos. Uma tecnologia que permite que sistemas diferentes troquem informações entre si. É a chave para o headless commerce.

No ecossistema do e-commerce, as APIs são comuns para integrar as plataformas de vendas com sistemas como os ERP e CRM, além dos sistemas dos meios de pagamento e transportadoras.

A grande vantagem das APIs é que os desenvolvedores dos sistemas não precisam conhecer a estrutura e funcionamento completo do outro sistema ao qual pretendem se integrar. Basta conhecer as estruturas das APIs da outra aplicação. Por exemplo, quando a plataforma de e-commerce fecha uma venda, precisa enviar as informações dessa venda ao ERP. Assim, o desenvolvedor da plataforma precisa apenas saber como é a API de venda do ERP e passar os dados da venda nesse formato.

No headless commerce acontece o mesmo, só que entre front-end e back-end. Assim, basta um conhecer as APIs do outro e a integração se faz. Ou seja, a plataforma da loja virtual pode se conectar a qualquer front-end. E no omnichannel essa arquitetura traz grandes vantagens.

Por exemplo, imagine que você entre em uma loja física, de uma empresa que utiliza omnichannel e cuja estrutura do seu e-commerce seja headless. Você pode acessar o app de vendas (ou site responsivo) da loja pelo celular e colocar itens no carrinho de compras. Ao se dirigir ao caixa, o atendente apenas precisa perguntar seu CPF ou número do pedido gerado e verá os itens que você adicionou no carrinho, usando o sistema dele, de frente de caixa.

Por aí dá para ver que o headless commerce tem diversas vantagens. As principais são:
 
  • Flexibilidade de interfaces: pode-se trabalhar e implantar interfaces de redes sociais, apps e outros canais de forma independente e mais ágil;
  • Personalização: a loja virtual não precisa mais estar presa a uma interface-padrão, de soluções prontas e rígidas;
  • Performance: a velocidade da loja aumenta, pois, a separação das camadas front e back implica em troca de informações mais rápidas;
  • Customização: muito mais liberdade para desenvolver várias formas de apresentação da loja, conforme os dispositivos; por exemplo, um e-commerce que venda diversas linhas de produtos, pode desenvolver layouts distintos de lojas, uma para cada linha;
  • O lojista pode permitir que designers independentes criem interfaces para acessar o back-end e quando houver uma venda por meio dessas interfaces, os designers ganhem uma comissão.
Portanto o headless commerce desmonta os sistemas de e-commerce tradicionais, monolíticos. É possível criar ou usar sistemas de terceiros mais facilmente e definitivamente entrar para o omnichannel.
O que pode fazer a diferença na selva da concorrência do comércio eletrônico.
Até a próxima!

* Luciano Furtado Correa Francisco é professor da Escola Superior de Gestão, Comunicação e Negócios do Centro Universitário Internacional Uninter.
 
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