28/06/2022 às 18h02min - Atualizada em 29/06/2022 às 00h01min

Empresária une ativismo e negócio em busca de impacto social em São Paulo

Mônica Buava transformou paixão pelos animais em restaurante vegano que serve 1 mil refeições por dia e gera 90 empregos na capital paulista

SALA DA NOTÍCIA Valle da Mídia
Conciliar as causas que defende com o empreendedorismo não é fácil e, por isso, a maioria das pessoas transforma o ativismo em algo paralelo à vida profissional. Apesar de desafiador, este caminho não só é possível como traz propósito ao negócio, explica Mônica Buava, 36 anos, sócia de uma empresa de alimentos veganos e que apostou, nos últimos anos, na relação estreita entre filosofia de vida e trabalho.

Desde o começo da faculdade, no curso de Relações Internacionais, ela tinha certeza de que gostaria de atuar no terceiro setor. Na época, já não comia carne, e foi durante um curso extracurricular de uma ativista do Greenpeace que se emocionou e percebeu o quanto era importante somar com a causa animal.

Apesar de conseguir estagiar no Instituto Nina Rosa e participar de realizações como o documentário “A Carne é Fraca”, os primeiros passos oficiais no empreendedorismo vieram em áreas sem relação com a defesa e proteção dos animais. Aos 20 anos, já vegana, abriu uma lavanderia industrial com o então marido e, anos depois, uma escola de educação infantil com as primas.

“Estava sempre conciliando com meu trabalho no terceiro setor, às vezes apenas voluntário, às vezes também remunerado. Eu gostava muito de administrar, de gerar emprego, de ver como impactávamos positivamente a vida dos clientes, mas meu entusiasmo em empreender nunca conversava com minha paixão em mudar o mundo”, relembra Mônica.

No início de 2014, um convite desafiador abriu a porta para alinhar o desejo pessoal com o lado profissional. Junto com dois amigos, teve a missão de decolar um restaurante que estava perdendo clientes por ter virado vegetariano. Mônica recorda que, ao chegarem na meta de ter 100 almoços por dia, foram convidados a serem sócios no negócio sem precisar investir nenhum valor.

Em dois anos, foram abertas mais três unidades, e o estabelecimento se consolidou como a primeira rede brasileira de restaurantes veganos. Depois de divergências com os sócios majoritários, ela e os amigos venderam a parte na sociedade e usaram o valor para começar um sonho próprio que se transformou no restaurante POP Vegan Food, inaugurado em julho de 2017 na capital paulista.

"Muita gente demora anos planejando abrir um negócio, fazendo projeções. Nós não, só queríamos democratizar a comida vegana, quebrando o paradigma de que é cara. Não acho ruim se planejar, mas o tempo que você gastará planejando não pode consumir mais recursos como tempo, dinheiro e, principalmente, entusiasmo do que se você já executar o protótipo do seu negócio", diz a empresária.

Hoje, o grupo POP Vegan Food tem 90 funcionários. Diariamente são servidas mil refeições e, além da unidade em São Paulo que oferece almoço, pizza e hambúrguer, o grupo é uma empresa de alimentos que inclui a revenda de insumos prontos, como queijos, sobremesas e pizzas – todos sem ingrediente de origem animal.

Passados quase cinco anos da aposta profissional, Mônica comemora conseguir levar o ativismo também para sua versão empresária do “setor dois e meio”, formado por empresas que buscam lucro por meio de atividades que resolvem problemas, tem um lado social forte e causam impacto positivo.

E não é só na causa animal que a empresa tem uma função importante. O negócio também prioriza o bem-estar dos funcionários. Além de um bom convênio médico e da oferta de cursos e palestras, os colaboradores têm acesso a apoio de advogado para problemas familiares, como pensão, bem como mentoria de carreira e acompanhamento com nutricionistas e psicólogos.

“Nossos funcionários são majoritariamente moradores da periferia, de origem humilde, temos egressos do sistema prisional e imigrantes, por exemplo”, explica Mônica.

Em outra ação de impacto social interno, a empresa destinou parte de sua reserva financeira para emprestar dinheiro, sem cobrança de juros, aos funcionários que estavam acumulando dívidas pessoais. São em decisões pontuais como essa que Mônica sente que consegue conciliar cada vez mais seu desejo de ajudar aos outros com o empreendedorismo.
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