08/04/2019 às 14h05min - Atualizada em 08/04/2019 às 14h51min

Herdeiros do Orkut - o pioneirismo do lucro com mídias sociais

Nunca foi tão fácil lucrar com a internet. As blogueiras, instagramers e youtubers são reconhecidas como as responsáveis por mostrar que fazer negócios online é o futuro. A internet tornou-se um meio de grande concentração capital, responsável por enriquecer em pouquíssimo tempo jovens de 20 a 30 e poucos anos, que em uma vida offline, provavelmente ainda obedeceriam ordens de um chefe. Este é, indiscutivelmente, um fenômeno.

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Influenciadores digitais 10 anos depois


Recebidos para cá, publiposts para lá: nunca foi tão fácil lucrar com a internet. As blogueiras, instagramers e youtubers são reconhecidas como as responsáveis por mostrar que fazer negócios online é o futuro. Uma pesquisa feita pelo Instituto QualiBest em março de 2018 aponta que os chamados 'influenciadores' já são a segunda principal fonte para tomada de decisão de consumidores. A internet como meio de grande concentração capital pode ter adquirido status de fenômeno recentemente, mas engana-se quem pensa que lucrar com as redes sociais é algo desta geração. Desde a época em que a internet era mato, usuários comuns já conseguiam os primeiros trocados via redes sociais.

Quem observa a enorme indústria que a internet se tornou pode não imaginar que a arte de lucrar com redes sociais foi iniciada por alguém que não é tão jovem e descolado quanto os influenciadores millennials que hoje dominam o Instagram. O publicitário Bruno Unger, 37 anos, tem desde criança o pensamento de que sempre há oportunidade de empreender onde os outros se divertem. Esta visão fez com que Unger se tornasse um dos pioneiros a viver apenas com a monetização das redes sociais.

Pode-se afirmar que as plataformas mIRC, bate-papo UOL, Fotolog e Orkut foram as responsáveis para que o brasileiro médio entendesse o computador como um meio de comunicação diário e forma de entretenimento. Os milhares de usuários flertavam, faziam amizades, participavam de grupos de interesses comuns, mas ninguém monetizada tais práticas. Foi em comunidades do Orkut que Unger iniciou a maximação e multiplicação de usuários em formato de rede, tarefa que faz até hoje: ''Onde há pessoas, há anunciantes, então pensei em como fazer um dinheiro e passei a criar comunidades de diversos temas. Quanto mais genérico o título, melhor era''.

 ''Eu durmo com o celular do lado da cama’’ era uma das mais de 250 comunidades do publicitário e nos anos de ouro do Orkut, Unger fechou um contrato com uma operadora de celulares que passou a anunciar no fórum. ''Amo minha mãe’’, ''Amo Floripa’’, ‘'Amo festa'': com a estratégia de títulos abrangentes, ele chegou a reunir o total de 16 milhões de pessoas e passou a comercializar estes grupos. Um dos maiores casos de sucesso foi a venda da comunidade de Florianópolis para o Grupo RBS por mais de quatro mil reais. Desta forma, o publicitário viveu entre 2006 e 2008, apenas com a renda vinda da rede social.

Sabe-se que a internet não vai a lugar algum, mas os meios em que os usuários se relacionam certamente vão sofrer mudanças, como sempre aconteceu no ciclo natural de tendências. O Orkut foi substituído pelo Facebook, que já perdeu o público mais jovem para o Instagram. Estas transições dão espaço não apenas para novas plataformas, mas também para uma rotatividade dos influenciadores digitais da vez, o que resulta na necessidade de sempre haver um plano B.

O fim do Orkut foi um novo início para a internet e também para Unger, que, em 2008, foi convidado para trabalhar como consultor de mídias sociais em uma empresa na Alemanha. ''Queriam minha expertise para que pudessem crescer e ganhar mercado. Além do salário ter aberto meus olhos, a experiência de viver em Munich, a cidade mais jovem e tecnológica da Europa, era algo único'', contou o publicitário.

Atualmente, Unger é sócio da sua própria rede social, o portal Falando de Viagem, que reúne experiências de viajantes ao redor do mundo no formato de fórum. O declínio do Orkut não o afetou, mas abriu caminhos para novos modelos de negócios. ''O Falando de Viagem surgiu a partir do momento em que percebi que precisava de algo meu. Sempre gerei renda, mas em plataformas terceiras, e via que tinha potencial de fazer algo que fosse meu '', explicou.

Foi necessário planejamento a longo prazo e a entrada em um emprego formal para que a experiência no Orkut tenha moldado a vida adulta de Unger, e não apenas um capítulo da juventude. Na velocidade da internet, a raiz da relação entre usuários imponentes e grandes marcas já pode ser considerada jurássica. Em um momento em que qualquer um pode se tornar influenciador digital, o desafio é conseguir inovar e se manter relevante neste mercado de gigantes.



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