31/07/2019 às 10h34min - Atualizada em 31/07/2019 às 10h42min

Muito além do programa Apollo, NASA possui ações voltadas para educação, sustentabilidade e negócios

A NASA tem ações em educação, geração de empresas, memória corporativa, entre outras. O texto compartilha lições pouco conhecidas sobre esta agência. Como gerar negócios com base em pesquisas? Como atrair jovens para carreiras ligadas à ciência e tecnologia? Como aplicar tecnologia espacial à sustentabilidade? Como gerar aprendizagem, transformando erros em degraus para outras conquistas? A proposta é aprender mais desta organização.

DINO
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NASA Sustainability Base, Mountain View, Califórnia


Muito além de sua mais conhecida conquista, a chegada do homem à lua, a NASA tornou-se sinônimo de excelência. De fato, ela bem pode ser considerada uma fábrica de conhecimento. Por outro lado, poucos sabem que muitos materiais que a NASA gera são de domínio público. Este texto traz alguns hot links para que o leitor siga sua própria jornada.

Fomentando inovação e empreendimentos
Apesar dos claros benefícios da tecnologia espacial, como melhor previsão climática e uso de GPS nos celulares, apenas para citar dois, ainda é comum ouvir: por que investir no espaço enquanto temos tantos desafios na terra? O que poucos sabem é que muitos avanços da tecnologia espacial criam empreendimentos. Por exemplo: sabia que a NASA tem um programa para fomentar pesquisa com potencial aplicação comercial? 
De fato, a NASA participa de dois programas deste tipo. O primeiro é o SBIR- Small Business Innovation Research- objetiva estimular inovação tecnológica de pequenos empreendimentos na pesquisa de interesse nacional. Já o STTR- Small Business Technology Transfer visa expandir oportunidades de financiamento federal em inovação, amplia parceria entre setor público e privado inclui joint venture entre pequenas empresas e instituições de pesquisa. Na lista de interesse divulgada em 2019, existem 22 áreas de foco, cobrindo campos como Propulsão, Energia, Robótica, Sensores, Materiais, entre outros.
Muitas destas oportunidades são restritas a americanos. Contudo, numa economia globalizada, talvez seja possível criar parcerias internacionais e se beneficiar destes programas. Em termos de recursos, segundo relatório publicado, estes dois programas na NASA concederam mais de 3,3 bilhões de dólares a pequenos negócios, com mais de 180 milhões em 2016.

Envolvimento com educação
É cada vez mais necessário atrair jovens para carreiras relacionadas à ciência e tecnologia. Segundo a UNESCO, a educação científica no Brasil deve empregar esforços em cooperação: na geração e difusão de conhecimento científico, e na capacitação de recursos humanos. Além disto, temos um grande defícit de professores em ciências naturais.
Neste sentido, vale conhecer outra atuação da NASA. Trata-se da iniciativa conhecida com STEM- Science, Technology, Engineering and Mathematics. Seu envolvimento neste programa inclui: Criar oportunidades para estudantes contribuírem para o trabalho da NASA em exploração e descoberta. Construir uma força de trabalho na área STEM, envolvendo alunos em autênticas experiências.
A agência fornece vasto material de apoio aos professores do fundamental ao ensino superior. As atividades são as mais variadas, desde  oportunidade para estudantes interagirem com astronautas na Estação Espacial Internacional, promoção de debates com presença da sua direção em que estudantes participam de discussões sobre futuro da exploração espacial, até concursos nacionais para que os estudantes criem modelos em impressora 3D de futuras moradias espaciais. Além disto, a NASA tem seu próprio educacional, com oportunidades para estudantes internacionais.  

Aplicando tecnologia espacial à sustentabilidade
Por sua abrangência, a NASA envolve várias especialidades da engenharia e interface com diversas áreas como medicina, astronomia e biologia, mas poucos sabem que a NASA desenvolve pesquisa em construção sustentável.  Foi com este propósito que em 2007, a agência criou uma iniciativa para renovar as edificações do governo. Como resultado, foi projetado e construído no Ames Research Center, Mountain View-Califórnia, o prédio conhecido como NASA- Sustainability Base.
A edificação atende o padrão LEED Platinum, certificação atribuída a prédios onde o projeto aplica princípios da sustentabilidade no seu ciclo de vida, ou seja tanto na construção quanto na utilização da edificação.
O projeto foi baseado em quatro elementos: Fazer máximo uso do ambiente local; Empregar tecnologias avançadas para minimizar consumo de energia e água; Instalar sistemas avançados de monitoramento de cargas elétricas. Criar laboratório vivo de pesquisa sobre metas avançadas de sustentabilidade. Se uma empresa considera investir em “construção verde”, vale a pena ter isto como ponto de partida.

Cultura de aprendizagem
Nos negócios, siglas como CEO e CFO se tornaram comuns. Contudo, você conhece o CKO- Chief Knowledge Officer? Este é responsável por organizar, gerenciar e disseminar conhecimento na organização. Prática que pode ser adotada por qualquer empresa, quanto maior seu porte mais relevante isto se torna.

Na NASA, a preservação da informação é um ponto vital. Neste aspecto, cita-se a iniciativa do Goddard Space Flight Center, com escritório para gestão do conhecimento. Aqui, o ambiente de trabalho se transforma em organização de aprendizagem. São desenvolvidas atividades para discussão e geração de ideias, em vez de simples transferência de informação. Uma destas iniciativas é conhecida como sessão PAL- Pause And Learn. Uma típica sessão PAL é um momento para refletir entre os colegas da equipe. A sessão tende a se concentrar em eventos recentes, sendo simples de implementar com curto compromisso de tempo. Um facilitador externo é trazido para orientar a discussão por um período de uma ou duas horas. O principal benefício da sessão é o próprio aprendizado e reflexão dos participantes.
Entre os resultados deste escritório está a geração de relatório contendo as principais lições com: nome do projeto, fonte da informação, resumo, área de foco, pontos aprendidos. O escritório publica revista com Case Studies para registrar os fundamentos de decisões, estudos de falhas, e casos de interesse baseados em fatos reais para enfatizar o valor das melhores práticas.

Os exemplos mostram que a NASA é uma vasta escola. Além disto, destaca-se a diversidade étnica dos seus colaboradores, pois lá o autor trabalhou com pesquisadores de quatro países, num espaço dinâmico onde cada colaborador é visto por sua capacidade. Talvez esta seja a maior lição a aprender num mundo tão dividido.

Jonny Carlos da Silva, professor titular da Universidade Federal de Santa Catarina, pós-doutorado junto à NASA, coach e palestrante.



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