02/08/2019 às 15h27min - Atualizada em 03/08/2019 às 00h00min

Inovação como a Inteligência Artificial impulsiona a Criatividade nas organizações

Diferentes pesquisas em Inovação apontam como tendência a presença da Inteligência Artificial na criação de produtos e serviços com possibilidades disruptivas. Vários avanços foram realizados visando desenvolvimento de métodos de apoio à criatividade, que podem levar à maior inovação. Contudo, o acesso a tais métodos ainda demonstra-se restrito. A proposta é mostrar como a IA pode construir esta ponte.

DINO
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Pesquisa conduzida pela Consultoria Medium Corporation, em 2019, entrevistou 100 executivos relacionados à inovação corporativa, suas empresas representam mais de US$ 4,8 trilhões em receita, empregando mais de 3,7 milhões de pessoas. A pesquisa aponta que a inovação se torna mais imperativa, particularmente no mercado atual em rápida transformação, todos os executivos estão cientes de como participantes inovadores, do Google ao Uber e ao Airbnb, afetaram setores inteiros nos últimos anos. O estudo questiona se é possível criar de forma confiável inovações disruptivas nas grandes corporações. Em termos de impulsionadores de inovação, a pesquisa lista 10 abordagens, sendo as três de maior penetração entre os entrevistados:  Design Thinking (46%), Agile (33%) e Human Centered Design (30%). O objetivo aqui não é detalhar estas e outras abordagens, mas sim identificar elementos cruciais que favoreçam ou dificultam ambientes inovadores. Neste sentido, ao apresentar as respostas ao questionamento “Quais tecnologias atuais são consideradas relevantes para que seu trabalho desenvolva produtos e serviços inovadores?”, a matéria traz 11 tecnologias, sendo IA-Inteligência Artificial/Machine Learning (80%) e Big Data (69%) as mais referenciadas.

Outra pesquisa conduzida pela Consultoria NESTA, também realizada em 2019, aponta nove tendências relacionadas à gestão e apoio à inovação. As tendências foram dispostas em três grupos: tecnologias digitais, inovações organizacionais, e habilidades individuais para inovar. Entre as três tendências apresentadas como tecnologias, a primeira aponta que a “IA está reinventando a maneira como inventamos”, neste ponto, o estudo sugere que a grande contribuição de IA não estaria sendo na área de veículos autônomos ou reconhecimento de imagem, mas sim em alterar o processo de inovação em si, por exemplo, apoiando os inovadores na análise de uma enorme quantidade de dados científicos, sejam estes estruturados ou não.

Já entre as habilidades individuais, a pesquisa aponta que a atitude mental (mindset) como um dos fatores, a razão disto é que à medida que os métodos de inovação se multiplicam e nossa compreensão do processo de inovação amadurece, tem havido um interesse crescente nas atitudes mentais exigidas por inovadores e seus líderes que lhes permitem adaptar-se a contextos de mudanças cada vez mais rápidas e incertas.

Quando se trata de inovação é muito comum indagar pontos como: É possível ser mais criativo, tanto como indivíduo quanto na organização? Por outro lado, em termos de métodos de apoio à criatividade, apesar das várias pesquisas realizadas, poucos indivíduos na prática conhecem tais métodos. Por exemplo, além do mais conhecido Brainstorming, o que se conhece Biomimética, Mind Mapping, Brainstorming Reverso, SCAMPER ou TILMAG?

Foi por ter identificado esta falta de conhecimento, que outro trabalho, neste caso um mestrado desenvolvido numa proposta de conectar IA aos projetos de engenharia, pretende preencher esta lacuna, demonstrando que embora os métodos de estímulo à criatividade sejam cada vez mais diversos, estes não estão sendo conhecidos pela comunidade de engenharia, mesmo os especialistas em projeto. A pesquisa envolveu projeto e validação de um sistema baseado em conhecimento, subárea da IA, voltado à categorização e seleção de técnicas de estímulo à criatividade. O software foi projetado visando fornecer às equipes de desenvolvimento de produtos um ambiente computacional, amigável onde um questionário é preenchido, descrevendo o perfil técnico e organizacional da equipe, e da tarefa de projeto, apresentando como resultado um conjunto de técnicas de apoio à criatividade mais aplicáveis ao cenário.

Como resultados, cada técnica selecionada é mostrada com suas características como etapa do projeto mais aplicável, método de execução, nível de dificuldade, entre outros. Assim como todo sistema baseado em conhecimento deve expor, o software apresenta as conexões entre o cenário definido no questionário e o conjunto de técnicas resultantes. O universo de cenários possíveis, considerando o questionário, cobre mais de 500 combinações. Entre as técnicas catalogadas, o sistema apresenta 24 técnicas.

Nos testes do software, a maioria dos especialistas conhecia apenas 12 destas técnicas. O sistema está em inglês, e encontra-se disponível para utilização do público em geral. Esta publicação explora questões relacionadas à usabilidade.

Após seu término como mestrado, o projeto evoluiu em duas frentes. Esforços estão sendo realizados no sentido de incubar o projeto, que ficou conhecido como CRIB- Creativity and Innovation Booster. Noutra frente, um projeto de doutorado está em desenvolvimento visando incorporar técnicas de Machine Learning, a fim de permitir o input do usuário no sistema e fornecer classificação das técnicas selecionadas.

Em seu prefácio, este White Paper, divulgado durante o Fórum Econômico Mundial, em 2018, aponta que após uma década de estagnação, espera-se que a Quarta Revolução Industrial crie até US$ 3,7 trilhões em valor até 2025. Acrescenta também que tecnologias como (IoT) internet das coisas, robótica avançada, inteligência artificial e manufatura aditiva já estão ajudando a gerar aumentos de produtividade.

Como consideração final, cabe a reflexão: estudos apontam que motivação tem forte dimensão intrínseca. Esta dimensão relaciona-se a profundo interesse, curiosidade e envolvimento no trabalho, pois muitas vezes mesmo com o maior potencial disponível em termos de conhecimento e habilidades criativas, a falta de motivação diminui a eficiência do pensamento criativo. É a diferença entre o que “pode ser feito” e o que “será feito”. Logo, além dos ganhos advindos da tecnologia, é fundamental investir na motivação dos colaboradores, pois nestes reside, em última instância, a capacidade de inovar. Cabe às universidades, entidades governamentais, e empresas de diversos níveis se preparem para esta realidade, antes que desapareçam do mapa como alguns pereceram.

Jonny Carlos da Silva
Professor titular de engenharia mecânica da Universidade Federal de Santa Catarina, pós-doutorado junto à NASA, coach e palestrante.



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