28/08/2019 às 14h47min - Atualizada em 28/08/2019 às 15h12min

Alunos da Uniube desenvolvem projetos de próteses biônicas

As peças são desenvolvidas em impressora 3D nas aulas de Engenharia de Produção. Professores de Fisioterapia também participam do projeto com orientações.

DINO
https://www.uniube.br/


Estudantes e professores do curso de Engenharia de Produção da Universidade de Uberaba (Uniube), no interior de Minas Gerais, têm mostrado como um ambiente acadêmico pode contribuir para a qualidade de vida de muita gente. É durante a disciplina Projetos Integrados III que muitas iniciativas estão sendo desenvolvidas por meio da tecnologia, prometendo beneficiar a rotina de quem mora na cidade. Bicicletas para cadeirantes, cadeiras de rodas e até próteses biônicas já foram montadas pelos alunos.

"Todo semestre a disciplina tem um cunho social. Com isso, já desenvolvemos vários produtos para a comunidade. Temos impressora 3D na universidade e fizemos uma parceria com a AstroScience para desenvolver peças maiores. Assim, criamos o projeto de próteses para fazer a substituição de membros do corpo humano. Foi a primeira vez que o curso desenvolveu este projeto. Partimos do princípio de que duas próteses de mão, uma para a esquerda e uma para a direita, e uma perna mecânica seriam um bom começo", conta o professor de Engenharia de Produção, Leandro de Oliveira Silva.

Logo após a impressão das próteses, Leandro convidou a professora Fernanda Regina de Moraes, do curso de Fisioterapia, para comentar com os alunos a importância do projeto para a saúde humana, qualidade de vida e conforto dos pacientes. Segundo Fernanda, as próteses devolvem a funcionalidade e retornam o paciente para as práticas diárias, como higiene pessoal e atividades profissionais. "As próteses em impressão 3D ainda estão começando. A parceria entre a Engenharia de Produção e a Fisioterapia será mais fortalecida. Ainda estamos em nível de pesquisa, ou seja, as próteses não chegaram aos serviços de saúde e, principalmente, aos serviços públicos, nos quais estão as pessoas que mais precisam destes dispositivos. Mas isso é só uma questão de tempo", comenta Fernanda.

A professora explica que as próteses biônicas podem ser utilizadas em qualquer membro lesionado e com perda de movimentação. "Qualquer articulação pode ser reestabelecida, desde em recém-nascidos, nas UTI’s Neonatais, como em adultos que tiveram lesões neurológicas. São dispositivos que podem ajudar a movimentação independentemente de uma amputação. Então, possuem uma aplicabilidade imensa e muitas regiões podem ser beneficiadas", afirma.

As próteses produzidas pelos alunos podem ser utilizadas em crianças de até 12 anos. A vida média das peças é de seis meses, já que são feitas de polímero, material que se desgasta com o tempo de maneira natural. "À medida que as próteses se desgastam, nós podemos substituir as peças. O tempo de produção delas é de 16 horas e a montagem dura, aproximadamente, quatro horas. Ou seja, em 24 ou 48 horas podemos ter uma prótese pronta para ser entregue a um paciente que necessita", explica Leandro, professor da disciplina.

Os alunos aprendem, juntamente com a equipe da AstroScience3D — startup uberabense que atua no desenvolvimento de tecnologias inovadoras e prestação de serviços na área de impressão 3D —, a projetar as peças. "É feito primeiro um desenho técnico no AutoCAD, depois ele é levado para um software industrial de projeção 3D e, em seguida, feito o fatiamento e a impressão", explica Leandro. "Para os alunos, essa atividade é incrível, porque trabalha com a tecnologia da Indústria 4.0, que é o futuro das grandes indústrias. Vamos ter grandes máquinas e impressoras 3D. Quando quebrar uma peça na fábrica, é só imprimi-la. Hoje a impressora 3D é tão boa que temos impressão em cobre, aço e em polímero", acrescenta.

Na opinião do aluno do 7º período de Engenharia de Produção, Caio Carvalho Santana, as próteses biônicas são um presente que a quarta revolução industrial trouxe para a sociedade. Ele foi um dos estudantes que participaram do desenvolvimento das peças. "Ainda é uma novidade no Brasil, mas com este impulsionamento, com esta chegada até as universidades, acreditamos que, em quatro ou seis anos, teremos estas impressões 3D com mais frequência. E se formos levar em consideração o custo, temos aqui em mãos uma prótese que custa 10 vezes menos que uma convencional, e isso pode alcançar uma maior acessibilidade. A intenção é produzir o mesmo produto, com maior acessibilidade para todos e menor custo", afirma Caio.

Segundo ele, as peças desenvolvidas pelos alunos ainda são um protótipo e precisam de aperfeiçoamentos. "Ainda temos o movimento mecânico, mas, futuramente, teremos movimentos sensoriais elétricos emitidos pelo corpo, o que as deixaria perfeitas", diz. Para o professor Leandro, trata-se de um projeto importante para a universidade e também para a sociedade. "Nossa perspectiva é começar na área de Fisioterapia dando o suporte com ferramentas, técnicas e instrumentos de trabalho que possam trazer conforto à saúde humana e daí o céu é o limite. O que pudermos construir nesta área vai ser importante para todo mundo", conclui.



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