29/04/2019 às 10h53min - Atualizada em 29/04/2019 às 11h21min

Propaganda digital brasileira no Facebook reforça estereótipos e não é inclusiva

Representação da Diversidade na Propaganda Digital Brasileira é o novo estudo realizado pela Elife e SA365 sobre a propaganda brasileira no Facebook

DINO - https://elife.com.br/
Diversidade na categoria Higiene Pessoal e Beleza


A propaganda digital brasileira reforça estereótipos e a sub-representação de diversidades como mulheres, negros, LGBTQ+, gordos, idosos, PCDs, jovens de periferia e asiáticos.  Esta é conclusão do estudo “Representação da Diversidade na Propaganda Digital Brasileira” realizado no primeiro trimestre pela Elife e SA365.

Feito por meio da plataforma Buzzmonitor, o estudo analisou publicações pagas no Facebook publicadas no primeiro semestre de 2018 dos 20 maiores anunciantes brasileiros (Ibope).  Ao todo foram analisados 1.465 posts patrocinados de 48 marcas ativas na rede social (um anunciante pode ter mais de uma marca). Apenas páginas ativas em 2018 foram contempladas.

Em cada uma das publicações foi identificada a presença de grupos protagonistas e analisadas apenas as imagens das peças nos formatos foto e vídeo, sem análise de conteúdo de texto ou segmentação de mídia.

Os grupos estudados foram: mulheres, homens, negros, brancos, LGBTQ+, gordos, idosos, PCDs, jovens de periferia e asiáticos. Já as categorias analisadas foram: cervejas, bebidas não alcoólicas, higiene pessoal, farmacêutica, financeiro, varejo, alimentos, telecomunicações, higiene doméstica, hotelaria e automotivo.

Para validar a classificação, foram convidados representantes de grupos sub-representados que confirmaram a representatividade e a percepção deles na categorização das peças.

 

Entre as principais conclusões, o estudo apurou que:

A presença de homens e de brancos ainda é desproporcional a de mulheres nas campanhas das principais categorias

  • Nas marcas de cerveja a presença de homens é 14% maior do que a de mulheres;
  • Nas marcas de bebidas não alcoólicas a representatividade feminina é 8% menor que a masculina;
  • Nas marcas do setor de telecomunicações a presença de homens é 21% maior do que a de mulheres;
  • Nas marcas de varejo a representatividade feminina é 13% menor que a masculina;
  • Nas marcas do setor de alimentos a presença de homens é 5% maior do que a de mulheres.

 

Maior presença feminina nem sempre é indicativo de inclusão

O estudo observou que a predominância feminina em algumas categorias não são indicativos de inclusão, mas de reforço de estereótipos. No setor de Higiene Pessoal e Beleza, por exemplo, 88% das publicações são protagonizadas por mulheres e 28% por homens, sendo que a maioria dos produtos podem ser usados por ambos os públicos.

O mesmo padrão de reforço de estereótipos acontece também no segmento automotivo, onde a presença masculina é predominante e compõe 90% das imagens analisadas.

Além disso, pessoas gordas estão presentes em apenas 6% das publicações analisadas, enquanto público LGBTQ+ aparece em 7% dos anúncios. Já idosos, asiáticos, pessoas com deficiência e jovens de periferia não estavam presentes em nenhuma propaganda das 9 marcas analisadas.

 

Setor automotivo: predominância de homens brancos e ausência de público LGBTQ+

Homens brancos estão presentes em 90% das campanhas da categoria, mas mulheres e negros também aparecem respectivamente em 40% e 60% dos anúncios. Porém, gordos, público LGBTQ+, indígenas, asiáticos, pessoas com deficiência e jovens de periferia não são representados no segmento.

 

Segundo Aline Araújo, Gerente de Projetos na Elife e uma das idealizadoras do estudo, a propaganda tem uma força social e representa muito do pensamento da época de uma sociedade. E complementa: “Quando propomos um olhar sobre o tema, baseado em dados, acredito que conseguimos provocar o mercado a pensar de forma prática sobre o assunto, de modo que a comunicação reflita mais a realidade brasileira, quebrando estereótipos e preconceitos.”

Os índices utilizados para comparar a presença dos grupos estudados com a média da população brasileira foram:

  • Gênero e Étnico Racial: PNAD, IBGE, 2017;
  • População Idosa: PNAD, IBGE, 2017;
  • Pessoas com Deficiência: Censo Demográfico, IBGE, 2010;
  • Plus Size/Gordo: VIGITEL, Ministério da Saúde, 2017.

 

Confira o estudo completo: http://bit.ly/2PcJVWW



Website: https://elife.com.br/
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