24/03/2020 às 12h28min - Atualizada em 24/03/2020 às 12h33min

Crise deve alavancar reestruturação de dívidas e fusões e aquisições

Impacto do coronavírus deve aquecer setor de reestruturação de dívidas com novas medidas de renegociação de crédito anunciadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Ao mesmo tempo, ativos mais baratos criam ótimas oportunidades de fusões e aquisições.

DINO
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Antonio Giglio Neto em seu novo escritório, o Giglio Neto Advogados


A pandemia de coronavírus e a consequente paralisação da economia podem criar cenários positivos para algumas áreas. Escritórios de advocacia focados em fusões e aquisições e no setor bancário devem atender à demanda das duas pontas dos negócios: companhias endividadas e empresas com caixa para adquirir ativos com preços bem mais acessíveis.

Duas resoluções do CMN facilitaram recentemente um pouco mais os negócios e evitaram uma leva de quebradeiras. A primeira medida do CMN facilita a renegociação de operações de créditos de empresas e de famílias que possuem boa capacidade financeira e mantêm operações regulares e adimplentes ativas, permitindo ajustes de seus fluxos de caixa. A segunda medida expande a capacidade de utilização de capital dos bancos para que eles tenham melhores condições para realizar as eventuais renegociações e de manter o fluxo de concessão de crédito.

As resoluções foram muito bem-vindas e escritórios de advocacia já preveem um aumento na procura por assessoria jurídica em poucos meses, principalmente na parte de reestruturação de dívidas. “Com o endividamento, as empresas ficam sufocadas e aproveitam as oportunidades de reestruturação de dívidas. Vão pedir aos credores mais prazos, renegociação de taxas de juros, etc. As duas resoluções do CMN facilitam essa reestruturação. Bancos e devedores se beneficiam”, diz Antonio Giglio Neto, especialista em direito bancário e financeiro do Giglio Neto Advogados, nova banca estruturada por um dos sócios que se desligou do Demarest Advogados . “Nossos honorários mais justos, estrutura mais enxuta e atendimento customizado são diferenciais atraentes para enfrentar os efeitos econômicos da epidemia”, diz.

Antes da pandemia, havia expectativa de um novo recorde em fusões e aquisições em 2020. De acordo com estudo da PwC, foram realizadas 912 transações de fusões e aquisições em 2019. Com esse volume de negócios, o país chegou ao recorde histórico desde que a compilação começou a ser feita, a partir de 1991. E 2020 já começou agitado no mercado brasileiro, com o volume de  89 operações em janeiro, o maior número já registrado para o mês. Esse ano deve registrar grandes transações, porém, com perspectivas de mercado diferentes.

Pesquisa mundial da Baker Tilly International e Mergermarket reforça o estudo da PwC e ainda indica que as negociações de fusões e aquisições no middle Market (negócio avaliado entre US$ 15 milhões e US$ 500 milhões) têm um grande potencial esse ano. 67% dos entrevistados concordam que este segmento terá a maior atividade em 2020. Segundo o líder global de Finanças Corporativas da Baker Tilly International, Michael Sonego, “Negócios com empresas de middle market, geralmente produzindo melhores taxas de risco-retorno, podem parecer mais atraentes. Mais intuitivamente, o segmento de middle market constitui o alvo mais atraente, dado seu modelo de negócios e agilidade comprovados”. 

Giglio Neto lembra ainda da ótima oportunidade de aquisições de empresas em recuperação judicial, uma vez que para esse caso há proteção legal para o  investidor que comprar a empresa. “Em recuperação judicial, fazendo-se a venda do ativo na forma prevista na lei (“unidade produtiva isolada”), não há sucessão do comprador nas obrigações do devedor. O comprador compra o ativo como se fosse zero quilômetro. É uma grande chance de adquirir um  ativo provavelmente barato com essa proteção”.

O middle market abre também - para escritórios menores e com preços mais competitivos -  ótimas possibilidades de trabalho que vão além das operações de fusões e aquisições. Giglio Neto afirma que nas áreas de bancário e financeiro, em grande parte das operações, os players envolvidos (credores, de um lado, e tomadoras, de outro) têm optado por trabalhar com bancas de estrutura mais enxuta e com custo menor. “Quanto a contratos comerciais e imobiliário, assim como em societário mais puro (que não necessariamente um M&A), a oportunidade que enxergo está nas empresas de middle que não querem investir muito dinheiro em honorários altos dos grandes escritórios, já que esses são trabalhos mais rotineiros, de dia a dia. No geral, a grande aposta é o crescimento dessas empresas, que hoje são startups ou de middle, e amanhã serão de grande porte, com a retomada econômica. São minas de pequenos negócios que ajudamos com toda a consultoria jurídica sem a preocupação a curto prazo. Queremos crescer juntos e usufruir a longo prazo”.



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