28/06/2021 às 14h14min - Atualizada em 28/06/2021 às 14h30min

Livro infantil conta história de vencedora do prêmio Nobel e traz para o Brasil uma visão ampliada sobre a China

Editoras parceiras se unem para expandir a literatura chinesa no país que tem quase 2 milhões de asiáticos

SALA DA NOTÍCIA FocoJá Comunicação

Um livro infantil que troca a fantasia pela realidade. E mais: revela um mundo onde o coletivismo ganha a forma do heroísmo e incentiva milhares de crianças e – por que não? – adultos a conhecerem mais a cultura de um país que está prestes a dominar o mundo. Iniciativa cria ponte entre Brasil e China e projeta uma relação mais íntima entre as nações com suporte no aprendizado do mandarim.

 

“A menina que amava as plantas” foi escrito pelo premiado autor chinês Xu Lu e narra a infância da cientista chinesa Tu Youyou, de 90 anos, vencedora do prêmio Nobel de Medicina de 2015. Um livro que fala de sonhos, determinação e de como as paixões infantis podem fazer pulsar um coração em prol da vida de todo o mundo. Traduzido pela brasileira Verena Veludo e ilustrado pela italiana Alice Coppini, a obra é uma realização da editora Cai-Cai e está à venda em parceria com a editora Lado A.

 

Com um bilhão e meio de habitantes e um Produto Interno Bruto de US$ 14 trilhões, a China é grande responsável pelo fluxo turístico mundial. Mais de 150 milhões de chineses viajam a lazer todos os anos, mas ainda poucos procuram o Brasil. Contudo, pelo menos 30 universidades na China oferecem cursos de graduação em português.

 

Essas não foram as razões que levaram a editora e sócia da Cai-Cai Thaisa Burani a criar o projeto que incentiva e fortalece a literatura chinesa no Brasil, mas, com certeza, são fatores a serem considerados num país onde habitam pelo menos 300 mil chineses, cerca de 200 mil só no estado de São Paulo. Considerando toda a população asiática, esse número é cinco vezes maior. Estima-se que a comunidade japonesa alcance 1,5 milhão de pessoas, com maior concentração no sul e sudeste, e a coreana, mais recente no país, já chegue a 50 mil. “A criança asiática brasileira não se vê representada nos livros”, declara a Thaisa, que é editora por formação e especializada em literatura infantil.

 

Ela conta que depois de longos anos frequentando as feiras literárias da Europa, Estados Unidos e de outros países latinos, não esperava se surpreender tanto quando, em 2019, foi pela primeira vez à China Shanghai International Childrens Book Fair, a “irmã mais nova” da tradicional feira do livro infantil de Bolonha. “Olhei e pensei: eu não conheço nada! Me deu a sensação de que eu estava fora da festa e era uma festa imperdível”.

 

“Eu quero muito que as nossas crianças entrem em contato com isso”, diz a editora, que confia num mundo mais pacífico e igualitário a partir da pureza dos pequeninos. Inspirada na alemã Jella Lepman, fundadora do IBBY (International Board of Book for Young People), ela trabalha sobre a crença de que “a gente só pode promover a paz se a gente conhecer o outro, e o livro infantil é uma arma muito poderosa para isto”.

 

Apresentar um cotidiano baseado em padrões completamente diferentes dos brasileiros já é, para Thaisa, uma grande contribuição para acabar com o desprezo e o preconceito a uma cultura extremamente rica e admirável. Mas, ela ainda destaca uma característica muito peculiar: “as culturas orientais tendem a ser voltadas para o coletivo e isso se reflete nas histórias. Diferente do protagonismo do herói, ali as coisas incríveis são feitas por vários personagens, o que resulta numa literatura mais introspectiva, mais delicada, diferente do que a gente encontra aqui”.

 

Além de querer oferecer às crianças de origem asiática uma identificação e às brasileiras uma formação diversificada, a editora tem uma terceira preocupação: a falta de materiais de apoio para quem quer aprender mandarim. A dificuldade apareceu quando ela também decidiu aprender a língua e percebeu que faltam ferramentas que engajem à cultura, gerem interesse e permitam o acesso para além das palavras. “Tem muita gente estudando mandarim hoje no Brasil, e produtos culturais como os livros podem ajudar estas pessoas”, declara.

 

De acordo com o Ministério da Educação da China, quase 650 mil usuários de 152 países já fizeram uso da Plataforma Global de Aprendizagem da Língua Chinesa, que suporta seis idiomas: chinês, inglês, russo, japonês, coreano e tailandês. O português, no entanto, ainda não está disponibilizado. Porém, os próximos dois livros do projeto de Thaisa Burani terão edições bilíngues português-chinês.

 

A menina que amava as plantas

Tu Youyou nasceu em 1930 na cidade de Ningbo, província de Zhejiang, China. Formou-se em farmácia pela Peking University Health Science Center e se dedicou integralmente à pesquisa científica, destacando-se pela descoberta das drogas artemisinina e diidroartemisinina, usadas para tratar a malária. Criada num vilarejo simples e profundamente tradicional, a pequena Youyou testemunhou de perto o poder da medicina tradicional chinesa e seus saberes ancestrais, adquirindo desde criança uma visão holística sobre a natureza e suas formas de cura.

 

Uma história inspiradora de uma mulher que, graças à dedicação aos estudos e à pesquisa científica, trouxe a cura para milhões de pessoas e revolucionou a medicina. Como um bálsamo contra a proliferação de fake news negacionistas, além do preocupante crescimento do ódio a asiáticos, A menina que amava as plantas vem nos lembrar que as realizações literárias e científicas nascem da curiosidade e não conhecem fronteiras.

 

Sobre a Editora Lado A

A recém-inaugurada Editora Lado A surge com a proposta de facilitar a produção, a venda e a distribuição de livros de todos os tipos de autores. Uma realização do pedagogo, empresário e especialista em marketing André Greca, que reúne os seus 20 anos de experiência no mercado gráfico para ajudar quem sempre teve o sonho de lançar o seu livro, mas se viu engessado diante de tantos critérios impostos pelas editoras tradicionais. Com a Lado A, o escritor se preocupa somente em escrever a obra; o resto fica por conta da editora, que está localizada em Curitiba e em breve entrará também no mercado internacional.

 

Sobre a Editora Cai-Cai

A Cai-Cai é uma editora independente especializada em literatura de infância que nasceu do desejo de desbravar o mundo e suas boas histórias. Nossa jornada começa na China, onde descobrimos uma literatura de infância inovadora e envolvente. Nosso comprometimento maior está em oferecer um catálogo de qualidade, divertido e culturalmente rico, capaz de apresentar às crianças brasileiras os encantos de diferentes culturas, suas festividades, lendas e costumes, despertando nelas a curiosidade pelo aprender e pela vastidão do mundo.


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